Bem-estar

16/12/2013 17h07

O que é importante saber para se proteger do sol

Substâncias presentes nos filtros solares podem causar doenças

Por Nosso Bem Estar

HAVESEEN/ISTOCKPHOTO/NBE
Filtro solar

Alternativas mais naturais já podem ser encontradas

Por muito tempo a informação divulgada amplamente por todos os meios foi: use filtro solar. Todos os dias, antes de qualquer exposição ao sol. Porém, outras orientações começam a circular na internet, revelando o perigo de substâncias presentes na maioria dos protetores, que podem provocar alergias e até câncer. Na dúvida, a nova recomendação é adquirir produtos naturais e adequados ao seu tipo de pele.

A boa notícia é que já existem filtros solares mais confiáveis, feitos de forma artesanal à base de plantas ─ fitoprotetores ─ e ingredientes derivados de minerais sem aditivos químicos. Eles podem ser encontrados em farmácias de manipulação e lojas de produtos naturais.

Segundo a bióloga Bettina Engelbrecht, da Universidade de Bayreuth (Alemanha), a exposição ao sol é importante para produzir o hormônio conhecido como vitamina D. “Essa substância fortalece os ossos, regula níveis de serotonina e triptamina, neurotransmissores que mantêm nossos ciclos de humor e de sono/alerta em equilíbrio.” No entanto, sol em excesso pode causar problemas de saúde, de queimaduras a câncer de pele.

Radiação ultravioleta

O principal fator de risco da exposição ao sol é a radiação ultravioleta. Cerca de 90% dela chega na forma de raios ultravioleta A (UVA), que não são absorvidos pela camada de ozônio e penetram profundamente na pele. Raios UVB são parcialmente absorvidos e geralmente produzem queimaduras avermelhadas. Cânceres de pele podem ser produzidos pelos dois tipos de raios.

De acordo com a organização sem fins lucrativos Grupo de Trabalho Ambiental (EWG, em inglês), ainda que a maioria dos filtros solares ofereça uma proteção mínima à radiação UVB, a maioria não tem o menor efeito em relação aos raios UVA. Cerca de 84% dos 831 protetores testados pelo EWG não passaram nos testes de qualidade para a saúde e meio ambiente.

Vitamina D

A deficiência de Vitamina D é considerada hoje uma epidemia mundial. Conforme o doutor Ítalo Rachid, diretor científico do grupo Longevidade Saudável, esta substância é na verdade um hormônio, derivado da cascata de produção do colesterol, responsável por sintetizar uma proteína indispensável para manutenção da pressão nas artérias. “Hoje 29% da população brasileira sofre de hipertensão. Porém, esta e outras doenças cardíacas podem ser evitadas ou atenuadas pela vitamina D, produzida a partir do contato da pele com os raios do sol”, salienta.

Química perigosa

São vários os elementos químicos presentes em filtros solares que podem causar alergias e até doenças, como o câncer de pele. Sendo que boa parte deles não tem função alguma de proteção, são apenas corantes, aromatizantes ou conservantes, incluídos nas fórmulas para garantir a comercialização em massa. 

Vale a pena conferir no rótulo a composição dos produtos, antes de decidir qual usar. É preciso estar alerta, pois a nomenclatura é complicada e sofre variações de acordo com a marca. Prefira os que são livres de:

- Parabeno: conservante alergênico e também relacionado ao desenvolvimento de câncer, que apresenta propriedades estrogênicas, podendo levar a desequilíbrios hormonais.

- Benzofenona: compostos que imitam o hormônio feminino estrogênio, também causando problemas hormonais que também pode ser considerado cancerígena, de acordo com a dosagem.

- Oxibenzona: conservante alergênico que contém filtro UVB.

- PABA: ácido para-aminobenzoico derivado do parabeno, provoca alergias e outras doenças.

- Retinil palmitato: ativo derivado do ácido retinóico que combina proteção UVB com antioxidante mas também é alergênico, além de poder manchar roupas e a pele.

- Óxido de zinco: em exposição à luz pode liberar moléculas instáveis, chamadas de radicais livres, que são cancerígenas.

Alternativa natural

Se observarmos o comportamento da natureza com atenção, podemos constatar a inteligência de preservação dos outros seres, que se recolhem à sombra no horário de sol alto, das 10h às 14h. Para a terapeuta ayurvédica Gisele de Menezes, nada justifica ignorarmos a conduta natural e entupirmos nossa pele com “melecas químicas”, colocando em desconforto todo o ambiente à nossa volta.

“Nossa pele é uma via de nutrição para dentro. Quando colocamos nela produtos que sequer podemos suportar o gosto - alguém já provou um protetor solar? - estamos nos intoxicando e intoxicando a água, a areia e seus habitantes”, afirma Gisele.

A opção ecológica e nutritiva precisa apenas de alguns elementos naturais:

- Óleo de coco: é refrescante, frio e grande protetor da pele e também dos cabelos.
- Cúrcuma ou açafrão da terra: é cicatrizante e regeneradora.
- Lavanda (como óleo essencial para compor a mistura): é um reparador da pele indicado inclusive para queimaduras graves.

“O Sol é alimento, é vida e alegria, todos os seres vivos sabem fazer uso dele. Nós, os mais 'inteligentes', temos que dar o exemplo de convivência harmoniosa com nossos recursos naturais”, complementa a terapeuta.

Dicas importantes

- Evite exposição ao sol no período das 10h às 14h
- Pense na proteção de sua pele antes de sair para o sol
- Antes de espalhar por todo corpo, teste em pequena área da pele, para evitar reações alérgicas
- Observe o prazo de validade dos produtos utilizados
- Tome cuidado para não escorrer para os olhos, principalmente nas crianças
- Use métodos divertidos para aplicar filtro solar nos pequenos
- Observe a faixa etária recomendada (há produtos especiais para seis meses a dois anos)
- Para menores de seis meses, usar roupas, chapéus e óculos de sol
- Reaplique o protetor em algumas horas, ou após banhos e prática de esportes

Fontes: Grupo Longevidade Saudável - www.longevidadesaudavel.com.br, Gisele de Menezes- www.giseledemenezes.com, Journal of Toxicology and Applied Pharmacology, Livro “Tudo sobre a pele das crianças: O guia essencial para os pais”, Dr. Phillip Artemi e Tina Aspres

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